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Quarta-feira, 28 de Fevereiro de 2007

UMA LUTA PARA ACREDITAR

Na visita à Associação “Acreditar” percebi que se a ideia que surgiu em 1993, de criar aquela instituição era boa, a sua concretização foi melhor ainda.

É importantíssimo o trabalho de apoio aos pais e crianças com cancro.

É importante o apoio psicológico, a informação, eventualmente o apoio domiciliário e monetário, que esta instituição dá a esses pais no momento em que se sentem mais desamparados.

Como é que os pais recebem a notícia de que um filho tem cancro?

Como é que isso se explica a uma criança?

Os responsáveis e os restantes voluntários intervêm de uma forma excepcional junto dessas pessoas, no IPO, que fica mesmo em frente à Acreditar.

Mas nesta visita tocou-me particularmente a importância da imagem do médico perante esta situação.

Como é que um médico diz a um pai ou a uma mãe que o filho tem cancro?

Não pode simplesmente dizê-lo, tem de dizer cada palavra com cuidado e não com a indiferença de quem está acostumado a dar más noticias. Porque o médico pode estar habituado a dá-las, mas aqueles pais não estão certamente preparados para recebê-las. Os pais não precisam de um médico que apenas evidencie indiferença, uma indiferença que esconde o “medo” de se envolver, o medo de perguntas difíceis, o medo de que o olhem nos olhos, o medo de sofrer… A carreira médica é envolvente por si só. Quem aceita o desafio não pode ter medo de se envolver emocionalmente. Deve ser humanamente médico e, para isso, arriscar. É isso o mais importante e, claro, deixar-se envolver sem ser demasiado susceptível, porque tem de estar sempre preparado para o pior, mas não pode esconder os sentimentos. Os pais têm de sentir que podem confiar no médico, no momento em que o seu mundo ruiu, precisam de certezas, alicerces, de um médico que aos poucos lhes explique os procedimentos a tomar e se mostre disponível.

E a criança?

Precisa de não ter medo daquele homem ou mulher de bata branca que diz qualquer coisa estranha que leva a sua mãe a ter os olhos repletos de lágrimas e o pai a levar as mãos à cabeça em sinal de desespero. Precisa que o médico se mostre amigo e lhe tente explicar, de uma forma recheada de muitos eufemismos (própria da idade), o que se passa com ela.

Um dia roubaram-lhe os sonhos. E é importante fazê-la “Acreditar”.

 

Nas visitas que fiz às duas instituições tão diferentes e tão iguais: os opostos na sociedade, as crianças e os idosos, e a igualdade no apoio, no reconforto, no envolvimento, na amizade.

Estas revestiram-se de um carácter fundamental para a carreira do médico/a sensibilizando-me para o aspecto humano da Medicina. Revelaram-se também essenciais para a compreensão da complexidade do ser humano e para a compreensão da diversidade de factores que determinam certos comportamentos.

E há duas lições fundamentais que retirei delas, além da necessidade de humanização da Medicina.

Primeiro, que como futura médica não posso nunca ser indiferente, e relembro as palavras do Dr. J. Fernandes e Fernandes, na recepção aos alunos do 1º ano: “ Por favor, nunca sejam indiferentes. É a pior coisa que existe - a indiferença, é como um cancro que corrói a sociedade. Nunca o sejam.”

E, por outro lado, a importância da esperança. A esperança que temos que procurar sempre dar aos nossos futuros pacientes. Fazê-los Acreditar sempre.

“A esperança seria a maior das forças humanas,

se não existisse o desespero.”

Victor Hugo

publicado por Dreamfinder às 15:32

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